"DevOps não é cargo, não é ferramenta, não é time separado. É cultura de colaboração entre quem desenvolve e quem opera."
Muita empresa acha que "faz DevOps" porque usa Docker e tem um Jenkinsfile. A realidade? DevOps é uma jornada de maturidade, e a maioria está nos primeiros passos.
Este guia apresenta os 5 níveis de maturidade DevOps e um plano prático para evoluir.
Os 5 Níveis de Maturidade DevOps
Nível 1: Inicial (Caos Controlado)
Situação: Deploys manuais, ambientes inconsistentes, "funciona na minha máquina".
Características:
- Deploy é evento traumático
- Rollback é rezar e restaurar backup
- Não há versionamento claro de configurações
- Time de Ops é reativo (apaga incêndio)
Métricas típicas:
- Deployment Frequency: Mensal ou menos
- Lead Time: Semanas a meses
- Change Failure Rate: >50%
- MTTR: Dias
Plano de Ação:
- Versionamento de código (Git) se não tiver
- Documentar passos de deploy atual
- Criar primeiro ambiente de staging
- Automatizar pelo menos o build
Nível 2: Repetível (Processos Definidos)
Situação: Processos existem, mas ainda são manuais. Há checkists, mas humanos executam.
Características:
- Deploy segue script ou runbook
- Existe staging, mas nem sempre reflete produção
- Testes existem, mas não bloqueiam deploy
- Monitoramento reativo (alerta quando já quebrou)
Métricas típicas:
- Deployment Frequency: Semanal
- Lead Time: 1-4 semanas
- Change Failure Rate: 30-50%
- MTTR: Horas a dias
Plano de Ação:
- Implementar CI básico (build + testes automatizados)
- Criar pipeline de deploy semi-automatizado
- Paridade entre staging e produção
- Alertas básicos de infraestrutura
Nível 3: Definido (Automação Consistente)
Situação: CI/CD funcionando, IaC (Infrastructure as Code) em uso, práticas padronizadas.
Características:
- Deploy com um clique (ou merge)
- Infraestrutura versionada (Terraform, Pulumi)
- Testes automatizados bloqueiam deploy
- Observabilidade básica (logs, métricas, traces)
Métricas típicas:
- Deployment Frequency: Diária a semanal
- Lead Time: Dias a 1 semana
- Change Failure Rate: 15-30%
- MTTR: Horas
Mini-Case: Uma fintech passou do Nível 2 ao 3 em 6 meses. Deploy que levava 4 horas passou a levar 15 minutos. Quantidade de incidentes pós-deploy caiu 60%.
Plano de Ação:
- CD completo (deploy automático em staging, manual em prod)
- Feature flags para releases graduiais
- Dashboards de observabilidade
- Runbooks para incidentes comuns
Nível 4: Gerenciado (Métricas Guiam Decisões)
Situação: DORA Metrics acompanhadas, SLOs definidos, cultura de melhoria contínua.
Características:
- Deploys múltiplos por dia
- Rollback automatizado em caso de falha
- SLOs com error budget
- Blameless post-mortems
Métricas típicas:
- Deployment Frequency: Múltiplas por dia
- Lead Time: Menos de 1 dia
- Change Failure Rate: <15%
- MTTR: Menos de 1 hora
Plano de Ação:
- Canary deployments ou blue-green
- SLOs formalizados com error budget
- Processo de post-mortem estruturado
- Self-service para desenvolvedores
Nível 5: Otimizado (Elite)
Situação: Continuous deployment total, experimentação constante, engenharia de caos.
Características:
- Commit vai para produção em minutos
- Feature flags controlam 100% dos releases
- Chaos engineering em uso
- Platform team servindo desenvolvedores
Métricas típicas (DORA Elite):
- Deployment Frequency: On demand
- Lead Time: Menos de 1 hora
- Change Failure Rate: <5%
- MTTR: Menos de 1 hora
Só algumas empresas chegam aqui: Netflix, Google, Amazon. Mas mesmo empresas menores podem alcançar Nível 4.
As DORA Metrics Explicadas
As 4 métricas fundamentais de performance de engenharia:
1. Deployment Frequency
Quantas vezes você faz deploy em produção?
- Elite: On demand (múltiplas por dia)
- High: Semanal a diário
- Medium: Mensal a semanal
- Low: Menos que mensal
2. Lead Time for Changes
Do commit à produção, quanto tempo leva?
- Elite: Menos de 1 hora
- High: 1 dia a 1 semana
- Medium: 1 semana a 1 mês
- Low: Mais de 1 mês
3. Change Failure Rate
Qual % dos deploys causa incidente?
- Elite: 0-15%
- High: 16-30%
- Medium: 31-45%
- Low: 46%+
4. Mean Time to Recovery (MTTR)
Quando quebra, quanto tempo para recuperar?
- Elite: Menos de 1 hora
- High: Menos de 1 dia
- Medium: 1 dia a 1 semana
- Low: Mais de 1 semana
O Futuro: Platform Engineering
DevOps está evoluindo. O próximo passo é Platform Engineering:
- Time de plataforma constrói self-service
- Desenvolvedores usam abstrações, não ferramentas brutas
- Padronização com flexibilidade
- Developer Experience como métrica
Leia mais em: O Fim do DevOps Como Conhecemos
O Próximo Passo
- Diagnóstico: Em qual nível você está?
- Priorização: Qual o próximo passo mais impactante?
- Execução: Pequenas melhorias consistentes
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